Montanha-russa académica - Como sobreviver à escrita de uma tese?
Se estás há meses ou até anos a tentar terminar a tua tese de mestrado ou doutoramento sem sucesso, não estás sozinho. Este momento, que deveria celebrar o auge do teu percurso académico, transforma-se muitas vezes numa prova emocional e mental. Entre orientações confusas, inseguranças avassaladoras e um cansaço que parece interminável, o simples ato de colocar um ponto final pode parecer inatingível. Escrever uma tese não é apenas uma questão de pesquisa e técnica é um verdadeiro mergulho no teu íntimo. Perguntas como "será que sou capaz?" ou "a minha investigação será válida?" podem alimentar bloqueios que te imobilizam. Um capítulo parece nunca estar suficientemente bom, e o medo do julgamento transforma-se num motor da procrastinação. Esta exigência desmesurada contigo mesmo, somada à solidão do processo, pode abrir caminho para aquela sensação devastadora de que estás a fingir ser académico, enquanto todos à tua volta parecem mais competentes, mais brilhantes, mais tudo. Este pensamento corrói a tua confiança e alimenta um ciclo de dúvidas constantes. A relação com os orientadores, outro pilar essencial, nem sempre funciona como deveria. Enquanto alguns estudantes encontram mentores dedicados, outros lidam com feedback vago, prazos irrealistas ou, pior, um silêncio desolador. Estudos mostram que conflitos com orientadores estão entre as principais causas dos atrasos e das desistências de entregas de teses. Entre leituras, revisões intermináveis e exigências constantes, o equilíbrio torna-se uma miragem. A acumulação de cansaço físico e mental faz com que tarefas antes desafiantes, mas entusiasmantes, passem a parecer impossíveis. O burnout não é apenas uma exaustão profunda é uma desconexão do propósito e da paixão que te trouxeram até aqui. Segundo Frontiers in Psychology, cerca de 40% dos estudantes relatam níveis clínicos de exaustão emocional. Quando essa exaustão te domina, até mesmo o ato de abrir o computador pode parecer uma tarefa hercúlea. Se estás a viver este momento de luta, lembra-te que pedir ajuda é um ato de coragem e não de fraqueza. Procurar apoio pode ser o primeiro passo para reencontrar o rumo e transformar esta jornada no que sempre deveria ter sido, um marco da tua determinação e resiliência.
