Autoestima: Muito Para Além da Confiança

14-11-2025

Hoje em dia fala-se muito de autoestima, mas raramente se compreende verdadeiramente o que ela significa. A maioria das pessoas confunde autoestima com confiança, como se se tratassem de duas palavras para descrever a mesma coisa. Mas não são. A confiança está ligada ao que fazemos; a autoestima está ligada ao que somos.

A confiança oscila com as circunstâncias: há dias em que nos sentimos capazes, determinados, produtivos e seguros. E há dias em que tudo parece mais difícil e a força simplesmente não aparece. Já a autoestima não deveria depender disso. Não é sentir-te invencível todos os dias, nem acordar com vontade de conquistar o mundo. Autoestima é algo mais profundo, mais silencioso e mais íntimo.

Autoestima é reconhecer o teu valor mesmo nos dias em que não brilhas, quando não tens energia ou quando a dúvida toma conta de ti. É seres capaz de estar contigo sem te julgares de forma cruel. É olhar para dentro e perceber que tens direito a existir, a descansar, a errar e a ser cuidada — mesmo quando não estás no teu melhor. É saber cuidar de ti sem te abandonares para agradar aos outros, sem te diminuíres para caber em expectativas que não são tuas.

E, ainda assim, tantas vezes fazemos exatamente o contrário. Quantas vezes dás tudo aos outros… e deixas-te para depois? Quantas vezes te calas para não parecer "demais", para não incomodar, para não seres vista como sensível, exigente ou "difícil"? Quantas vezes tentas ser perfeita, competente, impecável — não porque queres, mas porque acreditas que só assim vais merecer amor, validação ou pertença?

Estas perguntas não são acusações. São convites. Convites para olhares para a forma como te tratas. Porque a autoestima não nasce de fora, nem de elogios, nem de reconhecimento externo. Nasce da relação que tens contigo. Da forma como te falas, como te escutas e como te acolhes.

Autoestima é começares a mudar essa história — e mudar não significa transformar-te noutra pessoa, mas sim aproximar-te de quem realmente és. É começares a permitir-te ser humana. É deixares cair o peso da exigência. É aprenderes a dizer não sem culpa. É escolheres descansar sem te sentires insuficiente. É aprenderes a receber, e não apenas a dar.

Quando começas a tratar-te com respeito, cuidado e gentileza, algo muda dentro de ti: deixas de procurar fora aquilo que já estás a construir dentro. E, pouco a pouco, a tua vida começa a refletir isso. Relações mais saudáveis. Limites mais claros. Uma voz interior menos agressiva. E, sobretudo, um sentimento profundo de que mereces existir exatamente como és.

A autoestima não é um destino final. É um caminho — um caminho de regresso a ti.